quarta-feira, 22 de setembro de 2010

E se foram boas as putas?


Incrivelmente me lembrei de ler um livro que havia baixado há muito tempo. Entretanto não o li na frente do computador. Estranho, porque necessito ter o livro em mãos ao invés de ficar lendo arquivos PDF. O livro é: Memórias de Minhas Putas Tristes de Gabriel García Márquez. Já tinha ouvido milhares de recomendações sobre ele, só batia certa preguiça de ir buscá-lo.

 O livro de Gabriel é um ótimo exemplar de literatura chilena (?) - foi assim que o encontrei na biblioteca, entretanto o autor é Colombiano, mas tem influência em toda a América - latina. O exemplar que eu tenho em mãos é um dos melhores que já toquei neste ano. A história é a seguinte: Um escritor de noventa anos, cronista de jornal, se apaixona pela virgem que deseja ter no dia de seu nonagésimo aniversário. Depois disso, a história vai ficando surpreendente a cada linha, as imaginações e anáforas crescem e tomam o leitor de maneira arrebatadora. É um amor pueril, mas ao mesmo tempo com muito juízo. Ele é a imagem da velhice, dos anos vividos e das experiências vividas - mesmo que sejam poucas. Ela a vivacidade e esperança. Totalmente diferente dos romances tradicionais, ou americanizados, como conhecemos. Daí sugiro a qualidade de real - não totalmente- entretanto o amor descrito cabe muito bem aos apaixonados. Aliás, sugiro que aqueles que se julgam amantes leia este livro. Se não se encaixar nas descrições, não se desaponte, seja realista e encare nem todos os seres humanos são capazes de amar. Além do amor, a questão da velhice também é levantada, assim como o erotismo que será questionado em outra postagem - pois hoje é só a apresentação do fabuloso livro de García.

Ao final, a sensação de ler este livro pode ser descrito como fantástico, para mim. Achei sublime e o jeito como Gabriel conta conduz a história. Gabriel sabe mesmo como lidar com a história. Do inicio até a parte em que se apaixona por Delgadina, nos dá a impressão de uma leitura pesada e quem sabe até enfadonha, porém - mais precisamente na parte em que diz " O amor deveria ser um signo do zodíaco" - cai uma leveza nas mãos dos leitores e isso dá a sensação de que ele realmente pode ser comparado a Machado, com essa história de brincar com as sensações do leitor. Particularmente adorei o livro e acho que lembra muito Machado, ou sou eu que tenho a velha mania de comparar as coisas boas a ele.


[Post totalmente latino. Livro De Gabriel, músicas de Julieta Venegas]